quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ecos

Outra noite, conheci o blog de um amigo de um amigo meu...
Distante, não?
Mas ao mesmo tempo..
Tão próximo em idéias, pensamentos..
Nessa era digital, em que tudo parece tão frio...
É onde me sinto mais segura e mais próxima do lar...
Onde a saudade é menor, a distância mais curta, a voz mais próxima e por alguns instantes parece que o "Por enquanto" foi para sempre...

E lembra daquele tal amigo de um amigo meu?
Faz muito tempo, em outra vida talvez, postou algo que ainda hoje permanece em sua alma...

Soneto do só

(Parábola de Malte Laurids Brigge)

Depois foi só. O amor era mais nada
Sentiu-se pobre e triste como Jó
Um cão veio lamber-lhe a mão na estrada
Espantado, parou. Depois foi só.

Depois veio a poesia ensimesmada
Em espelhos. Sofreu de fazer dó
Viu a face do Cristo ensangüentada
Da sua, imagem - e orou. Depois foi só.

Depois veio o verão e veio o medo
Desceu de seu castelo até o rochedo
Sobre a noite e do mar lhe veio a voz

A anunciar os anjos sanguinários...
Depois cerrou os olhos solitários
E só então foi totalmente a sós.

Vinícius de Moraes

Um comentário:

Ace disse...
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